São Paulo, 2 de outubro de 2008 (Standard & Poor’s) A Standard & Poor’s Ratings Services reafirmou hoje em sua escala global os ratings de crédito corporativo de longo prazo ‘BB’ atribuídos à Camargo Corrêa S.A. (CCSA), e à sua subsidiária Camargo Corrêa Cimentos S.A. (CCC). O rating ‘brAA’ atribuído na Escala Nacional Brasil à CCC também foi reafirmado. Ao mesmo tempo, a Standard & Poor’s reafirmou os ratings atribuídos às emissões realizadas ou garantidas por essas duas empresas (ver lista de ratings abaixo). A perspectiva dos ratings de crédito corporativo em ambas as escalas permanece estável.
Os ratings da CCSA refletem a diversificação do portfólio de negócios do Grupo Camargo Corrêa; a sua estratégia de crescimento agressiva baseada em aquisições e na expansão orgânica de seus negócios; o aumento na alavancagem financeira em algumas de suas subsidiárias decorrente de operações de fusão e aquisição; e a exposição do grupo a segmentos voláteis e de forte concorrência (quando analisados individualmente). Por outro lado, alguns desses aspectos negativos são compensados pela liquidez robusta do grupo em termos consolidados; pelo perfil financeiro adequado de seu passivo; pelo aumento em sua diversificação geográfica; pela posição de liderança de mercado ocupada por muitas de suas principais subsidiárias; e pelas perspectivas positivas para grande parte dos segmentos em que suas principais subsidiárias atuam.
Os ratings da CCC refletem principalmente o comprovado suporte financeiro que o grupo lhe concede, ajudando-a a honrar amortizações de suas dívidas financeiras e a cobrir suas necessidades de capital de giro em situações de mercado desfavorável como ocooreu entre 2005 a 2007, quando a CCC apresentou geração de fluxo de caixa bastante fraca em razão da queda na demanda e nos preços do cimento. Com o forte aquecimento do mercado de construção civil local desde meados de 2007, a CCC deve passar a gerar caixa suficiente para atender suas necessidades de capital de giro e serviço da dívida. Além da geração de seu fluxo de caixa operacional, a CCC também recebe fluxo de dividendo relevante das empresas nas quais detém participações, tais como Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais - Usiminas (Usiminas; ‘BBB-/Estável/--’ e ‘brAAA/Estável/--’), Itaúsa (sem rating da S&P) e Loma Negra C.I.A.S.A. (Loma Negra;‘B+/Estável/--’), parte delas adquirida pela CCSA e transferida à CCC por meio de aumento de capital.
A CCSA é a principal empresa holding do Grupo Camargo Corrêa, o qual detém participações acionárias em uma carteira diversificada de negócios, entre eles cimento, têxtil, calçados, construção habitacional e pesada, concessões de energia e de rodovias, entre outros. As receitas consolidadas líquidas da CCSA totalizaram R$ 11,8 bilhões no acumulado de doze meses findo em junho de 2008, um aumento de 12% quando comparado às receitas líquidas obtidas em 2007, refletindo principalmente o melhor desempenho dos setores de cimento e construção civil, tanto habitacional como pesada. Os negócios internacionais (exportações e receitas geradas no exterior) contribuíram com 19% das receitas, seguindo uma tendência de crescimento, visto que esse percentual era de apenas 2% cinco anos atrás.
O EBITDA aumentou para R$ 2,1 bilhões no período de 12 meses até junho de 2008 (quase R$ 1,8 bilhão no ano de 2007) em razão das receitas mais altas e também em função das melhores margens de lucro obtidas pelo segmento de cimento no Brasil. Apesar de o negócio de Engenharia e Construção (E&C) possuir limitada diversificação geográfica, seu desempenho tem evoluído de forma positiva pelo aumento nos investimentos em infra-estrutura e pela perspectiva positiva para o setor de construção residencial. As perspectivas também são favoráveis para os outros setores em que a CCSA participa, tais como concessões nos setores de energia e rodovias. No entanto, apesar das margens operacionais ligeiramente melhores, a margem de lucro operacional consolidada tem ainda sido negativamente afetada pelo fraco desempenho no segmento têxtil, tanto no Brasil quando no exterior, e também pela divisão de calçados cuja rentabilidade vem declinando desde 2007.
A CCSA tem adotado uma postura financeira mais agressiva nos últimos anos, aumentando o endividamento bruto para financiar diversas aquisições. Por outro lado, receitas e geração de caixa também vêm aumentando. A estratégia de crescimento da CCSA para seus principais negócios e a potencial diversificação em outros negócios deve abranger aquisições além de investimentos na expansão da sua capacidade instalada, o que provavelmente resultará em um incremento de dívida ou em certa redução de sua alta reserva de caixa (R$ 3 bilhões em junho de 2008), podendo enfraquecer seus indicadores de proteção do fluxo de caixa. No entanto, esperamos que a liquidez robusta do grupo permaneça em nível elevado acompanhando a sua política financeira historicamente conservadora. O grupo detém importantes participações acionárias em empresas de capital aberto não diretamente relacionadas ao core-business do grupo, que em razão da liquidez das ações dessas empresas, atenuam o eventual aumento em seu passivo financeiro e assim dão sustentação aos ratings atuais. Esperamos que o grupo Camargo Corrêa mantenha seu índice de dívida líquida sobre EBITDA abaixo de 2,0x e de geração interna de caixa (Funds From Operations - FFO) sobre dívida bruta total acima de 30%, incluindo a consolidação proporcional da VBC Energia S.A. (sem rating da S&P), da Companhia de Concessões Rodoviárias - CCR (‘brA+/Estável/--’) e da Usiminas, empresas nas quais o grupo participa do bloco de controle junto com outros acionistas.
Liquidez
A liquidez da CCSA é forte, uma vez que o grupo possui cerca de R$ 3 bilhões em reservas de caixa, o que inclui as ações da Alcoa Inc. (‘BBB+/Estável/A-2’) equivalentes a US$250 milhões com base na média dos últimos meses, além de investimentos financeiros de curto prazo.
A dívida total do grupo é de aproximadamente R$ 6,3 bilhões e incluindo a parcela do passivo circulante de cerca de R$ 1,5 bilhão que vence até junho de 2009, que é coberta confortavelmente pela atual posição de liquidez e pela esperada geração de caixa operacional consolidada. Parte da dívida total do grupo (R$ 2,6 bilhões) e da posição de caixa (cerca de R$ 0,4 bilhão) pertence às empresas em que a CCSA compartilha a administração com outros acionistas controladores (tais como a VBC, a CCR, Usiminas e Baesa) e não representa obrigações diretas nem liquidez disponível para a CCSA.
Estimamos que certos segmentos de negócios vão ser objetos de elevados investimentos no médio prazo. As projeções de investimentos do grupo giram em torno de R$ 8 a R$ 10 bilhões no período de 2008-2012, dependendo das condições de mercado, incluindo a expansão da capacidade de produção de plantas existentes e algumas aquisições. Portanto, considerando-se certo aumento nas necessidades de capital de giro em razão das atividades crescentes e da dívida adicional para financiar investimentos, não prevemos espaço para redução de dívida no curto prazo a menos que a empresa escolha reduzir sua posição de caixa.
Perspectiva
A perspectiva estável dos ratings de crédito corporativo da CCSA reflete a nossa expectativa de que apesar dos investimentos programados e das potenciais aquisições no médio prazo, a política financeira do grupo permanecerá conservadora. Acreditamos que o grupo continuará a crescer em ritmo forte, a envidar todos os esforços necessários para recuperar a rentabilidade dos segmentos de calçados e têxtil, bem como manter a recuperação dos segmentos de cimento e construção civil.
Dado o programa de investimentos agressivo nos próximos anos, uma revisão positiva dos ratings ou de suas perspectivas dependerá da capacidade do grupo para fortalecer a qualidade de crédito combinada de sua carteira de negócios melhorando a rentabilidade operacional, principalmente no setor têxtil, mantendo liquidez satisfatória, e ao mesmo tempo apresentando métricas de crédito mais robustas, tais como FFO sobre dívida bruta total acima de 40% e de dívida bruta total sobre EBITDA abaixo de 1,5.
Os ratings ou suas perspectivas poderão ser revistos negativamente se a política financeira do grupo se deteriorar para um perfil mais agressivo de alavancagem, refletido em um índice de dívida líquida sobre EBITDA consistentemente acima de 2x.
A perspectiva estável dos ratings de crédito corporativo da CCC reflete o forte suporte por parte de sua empresa controladora e o melhor mercado para o cimento no Brasil, muito embora seu desempenho financeiro tenha sido ainda inferior àquele apresentado até 2004, principalmente em termos de lucratividade.
LISTA DE RATINGS REAFIRMADOS
Camargo Correa S.A.
| |
| Ratings de Crédito Corporativo |
| |
| Escala global |
| Moeda local: ‘BB/Estável/--’ |
| Moeda estrangeira: ‘BB/Estável/--’ |
| |
| Ratings de Emissão |
| |
| Notas Senior Unsecured (emitidas pela CCSA Finance Ltd. e garantidas pela CCSA) |
| Valor: US$250 milhões |
| Vencimento: Maio de 2016 |
| Rating de emissão: ‘BB’ |
| |
Camargo Correa Cimentos S.A.
| |
| Ratings de Crédito Corporativo |
| |
| Escala global |
| Moeda local: ‘BB/Estável/--’ |
| Moeda estrangeira: ‘BB/Estável/--’ |
| Escala Nacional Brasil: ‘brAA/Estável/--’ |
| |
| Ratings de Emissão |
| |
| Notas Senior Unsecured (emitidas pela Loma Negra e garantidas pela CCC) |
| Valor: US$100 milhões |
| Vencimento: março de 2013 |
| Rating de emissão: ‘BB’ |
| |
| Medium Term Notes - MTNs (emitidas pela Cauê Finance Ltd. e garantidas pela CCC) |
| Valor: US$150 milhões |
| Vencimento: agosto de 2015 |
| Rating de emissão: ‘BB’ |
| |
| Debêntures (emitidas pela CCC) |
| Valor: R$ 360 milhões |
| Vencimento: R$ 100 milhões em dezembro de 2007 (quitados) e R$ 260 milhões em dezembro de 2009 |
| Rating de emissão: ‘BB’ |
| |
|