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Standard & Poor's reafirma ratings da Camargo Corrêa S.A. e da Camargo Corrêa Cimentos S.A.; perspectiva estável

Data de Publicação:    Oct 02, 2008 00:00 America/Sao_Paulo
Eduardo Chehab, São Paulo (55) 3039-9742, eduardo_chehab@standardandpoors.com
Reginaldo Takara, São Paulo (55) 11-3039-9740, reginaldo_takara@standardandpoors.com


São Paulo, 2 de outubro de 2008 (Standard & Poor’s) – A Standard & Poor’s Ratings Services reafirmou hoje em sua escala global os ratings de crédito corporativo de longo prazo ‘BB’ atribuídos à Camargo Corrêa S.A. (CCSA), e à sua subsidiária Camargo Corrêa Cimentos S.A. (CCC). O rating ‘brAA’ atribuído na Escala Nacional Brasil à CCC também foi reafirmado. Ao mesmo tempo, a Standard & Poor’s reafirmou os ratings atribuídos às emissões realizadas ou garantidas por essas duas empresas (ver lista de ratings abaixo). A perspectiva dos ratings de crédito corporativo em ambas as escalas permanece estável.

Os ratings da CCSA refletem a diversificação do portfólio de negócios do Grupo Camargo Corrêa; a sua estratégia de crescimento agressiva baseada em aquisições e na expansão orgânica de seus negócios; o aumento na alavancagem financeira em algumas de suas subsidiárias decorrente de operações de fusão e aquisição; e a exposição do grupo a segmentos voláteis e de forte concorrência (quando analisados individualmente). Por outro lado, alguns desses aspectos negativos são compensados pela liquidez robusta do grupo em termos consolidados; pelo perfil financeiro adequado de seu passivo; pelo aumento em sua diversificação geográfica; pela posição de liderança de mercado ocupada por muitas de suas principais subsidiárias; e pelas perspectivas positivas para grande parte dos segmentos em que suas principais subsidiárias atuam.

Os ratings da CCC refletem principalmente o comprovado suporte financeiro que o grupo lhe concede, ajudando-a a honrar amortizações de suas dívidas financeiras e a cobrir suas necessidades de capital de giro em situações de mercado desfavorável como ocooreu entre 2005 a 2007, quando a CCC apresentou geração de fluxo de caixa bastante fraca em razão da queda na demanda e nos preços do cimento. Com o forte aquecimento do mercado de construção civil local desde meados de 2007, a CCC deve passar a gerar caixa suficiente para atender suas necessidades de capital de giro e serviço da dívida. Além da geração de seu fluxo de caixa operacional, a CCC também recebe fluxo de dividendo relevante das empresas nas quais detém participações, tais como Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais - Usiminas (Usiminas; ‘BBB-/Estável/--’ e ‘brAAA/Estável/--’), Itaúsa (sem rating da S&P) e Loma Negra C.I.A.S.A. (Loma Negra;‘B+/Estável/--’), parte delas adquirida pela CCSA e transferida à CCC por meio de aumento de capital.

A CCSA é a principal empresa holding do Grupo Camargo Corrêa, o qual detém participações acionárias em uma carteira diversificada de negócios, entre eles cimento, têxtil, calçados, construção habitacional e pesada, concessões de energia e de rodovias, entre outros. As receitas consolidadas líquidas da CCSA totalizaram R$ 11,8 bilhões no acumulado de doze meses findo em junho de 2008, um aumento de 12% quando comparado às receitas líquidas obtidas em 2007, refletindo principalmente o melhor desempenho dos setores de cimento e construção civil, tanto habitacional como pesada. Os negócios internacionais (exportações e receitas geradas no exterior) contribuíram com 19% das receitas, seguindo uma tendência de crescimento, visto que esse percentual era de apenas 2% cinco anos atrás.

O EBITDA aumentou para R$ 2,1 bilhões no período de 12 meses até junho de 2008 (quase R$ 1,8 bilhão no ano de 2007) em razão das receitas mais altas e também em função das melhores margens de lucro obtidas pelo segmento de cimento no Brasil. Apesar de o negócio de Engenharia e Construção (E&C) possuir limitada diversificação geográfica, seu desempenho tem evoluído de forma positiva pelo aumento nos investimentos em infra-estrutura e pela perspectiva positiva para o setor de construção residencial. As perspectivas também são favoráveis para os outros setores em que a CCSA participa, tais como concessões nos setores de energia e rodovias. No entanto, apesar das margens operacionais ligeiramente melhores, a margem de lucro operacional consolidada tem ainda sido negativamente afetada pelo fraco desempenho no segmento têxtil, tanto no Brasil quando no exterior, e também pela divisão de calçados cuja rentabilidade vem declinando desde 2007.

A CCSA tem adotado uma postura financeira mais agressiva nos últimos anos, aumentando o endividamento bruto para financiar diversas aquisições. Por outro lado, receitas e geração de caixa também vêm aumentando. A estratégia de crescimento da CCSA para seus principais negócios e a potencial diversificação em outros negócios deve abranger aquisições além de investimentos na expansão da sua capacidade instalada, o que provavelmente resultará em um incremento de dívida ou em certa redução de sua alta reserva de caixa (R$ 3 bilhões em junho de 2008), podendo enfraquecer seus indicadores de proteção do fluxo de caixa. No entanto, esperamos que a liquidez robusta do grupo permaneça em nível elevado acompanhando a sua política financeira historicamente conservadora. O grupo detém importantes participações acionárias em empresas de capital aberto não diretamente relacionadas ao core-business do grupo, que em razão da liquidez das ações dessas empresas, atenuam o eventual aumento em seu passivo financeiro e assim dão sustentação aos ratings atuais. Esperamos que o grupo Camargo Corrêa mantenha seu índice de dívida líquida sobre EBITDA abaixo de 2,0x e de geração interna de caixa (Funds From Operations - FFO) sobre dívida bruta total acima de 30%, incluindo a consolidação proporcional da VBC Energia S.A. (sem rating da S&P), da Companhia de Concessões Rodoviárias - CCR (‘brA+/Estável/--’) e da Usiminas, empresas nas quais o grupo participa do bloco de controle junto com outros acionistas.

Liquidez
A liquidez da CCSA é forte, uma vez que o grupo possui cerca de R$ 3 bilhões em reservas de caixa, o que inclui as ações da Alcoa Inc. (‘BBB+/Estável/A-2’) equivalentes a US$250 milhões com base na média dos últimos meses, além de investimentos financeiros de curto prazo.

A dívida total do grupo é de aproximadamente R$ 6,3 bilhões e incluindo a parcela do passivo circulante de cerca de R$ 1,5 bilhão que vence até junho de 2009, que é coberta confortavelmente pela atual posição de liquidez e pela esperada geração de caixa operacional consolidada. Parte da dívida total do grupo (R$ 2,6 bilhões) e da posição de caixa (cerca de R$ 0,4 bilhão) pertence às empresas em que a CCSA compartilha a administração com outros acionistas controladores (tais como a VBC, a CCR, Usiminas e Baesa) e não representa obrigações diretas nem liquidez disponível para a CCSA.

Estimamos que certos segmentos de negócios vão ser objetos de elevados investimentos no médio prazo. As projeções de investimentos do grupo giram em torno de R$ 8 a R$ 10 bilhões no período de 2008-2012, dependendo das condições de mercado, incluindo a expansão da capacidade de produção de plantas existentes e algumas aquisições. Portanto, considerando-se certo aumento nas necessidades de capital de giro em razão das atividades crescentes e da dívida adicional para financiar investimentos, não prevemos espaço para redução de dívida no curto prazo a menos que a empresa escolha reduzir sua posição de caixa.

Perspectiva
A perspectiva estável dos ratings de crédito corporativo da CCSA reflete a nossa expectativa de que apesar dos investimentos programados e das potenciais aquisições no médio prazo, a política financeira do grupo permanecerá conservadora. Acreditamos que o grupo continuará a crescer em ritmo forte, a envidar todos os esforços necessários para recuperar a rentabilidade dos segmentos de calçados e têxtil, bem como manter a recuperação dos segmentos de cimento e construção civil.

Dado o programa de investimentos agressivo nos próximos anos, uma revisão positiva dos ratings ou de suas perspectivas dependerá da capacidade do grupo para fortalecer a qualidade de crédito combinada de sua carteira de negócios melhorando a rentabilidade operacional, principalmente no setor têxtil, mantendo liquidez satisfatória, e ao mesmo tempo apresentando métricas de crédito mais robustas, tais como FFO sobre dívida bruta total acima de 40% e de dívida bruta total sobre EBITDA abaixo de 1,5.


Os ratings ou suas perspectivas poderão ser revistos negativamente se a política financeira do grupo se deteriorar para um perfil mais agressivo de alavancagem, refletido em um índice de dívida líquida sobre EBITDA consistentemente acima de 2x.

A perspectiva estável dos ratings de crédito corporativo da CCC reflete o forte suporte por parte de sua empresa controladora e o melhor mercado para o cimento no Brasil, muito embora seu desempenho financeiro tenha sido ainda inferior àquele apresentado até 2004, principalmente em termos de lucratividade.

LISTA DE RATINGS REAFIRMADOS

Camargo Correa S.A.

 
Ratings de Crédito Corporativo
 
Escala global
Moeda local: ‘BB/Estável/--’
Moeda estrangeira: ‘BB/Estável/--’
 
Ratings de Emissão
 
Notas Senior Unsecured (emitidas pela CCSA Finance Ltd. e garantidas pela CCSA)
Valor: US$250 milhões
Vencimento: Maio de 2016
Rating de emissão: ‘BB’
 


Camargo Correa Cimentos S.A.

 
Ratings de Crédito Corporativo
 
Escala global
Moeda local: ‘BB/Estável/--’
Moeda estrangeira: ‘BB/Estável/--’
Escala Nacional Brasil: ‘brAA/Estável/--’
 
Ratings de Emissão
 
Notas Senior Unsecured (emitidas pela Loma Negra e garantidas pela CCC)
Valor: US$100 milhões
Vencimento: março de 2013
Rating de emissão: ‘BB’
 
Medium Term Notes - MTNs (emitidas pela Cauê Finance Ltd. e garantidas pela CCC)
Valor: US$150 milhões
Vencimento: agosto de 2015
Rating de emissão: ‘BB’
 
Debêntures (emitidas pela CCC)
Valor: R$ 360 milhões
Vencimento: R$ 100 milhões em dezembro de 2007 (quitados) e R$ 260 milhões em dezembro de 2009
Rating de emissão: ‘BB’