São Paulo, 6 de outubro de 2008 (Standard & Poor’s) A Standard & Poor’s Ratings Services revisou hoje, de positiva para estável, a perspectiva dos ratings atribuídos a seis corporações brasileiras, incluindo duas do setor de infra-estrutura, seguindo-se à piora nas condições econômicas globais e à volatilidade no mercado de crédito e pelo efeito combinado desses eventos sobre o ambiente econômico no Brasil. Ao mesmo tempo, também reafirmamos os ratings de emissor e de emissão dessas entidades (ver lista abaixo).
“A revisão da perspectiva reflete o aperto no mercado de crédito, a elevação nos custos de juro e de captação de recursos e a alta volatilidade do Real em razão da piora no ambiente econômico global”, disse a analista de crédito da Standard & Poor’s Milena Zaniboni. “Esses acontecimentos reduzem a possibilidade de elevação nos ratings dessas empresas no médio prazo”.
A perspectiva positiva, em grande parte dessas empresas, refletia as expectativas de que um cenário econômico favorável no mercado doméstico lhes possibilitaria fortalecer ainda mais seus perfis financeiros, melhorando os fluxos de caixa ou reduzindo a dívida total nos próximos anos. Esse cenário tornou-se menos provável nas últimas semanas, em função da forte redução na disponibilidade de crédito nos mercados bancários principalmente nas linhas de financiamentos voltadas à exportação. Além disso, a extrema volatilidade do Real e o aumento nos custos de juros criam dificuldades para as empresas rolarem seus empréstimos de capital de giro rotineiros. Como resultado da elevação nas taxas de juros no mercado doméstico, um enfraquecimento na atividade econômica local tornou-se também mais provável; o que poderia prejudicar a capacidade dessas empresas de continuar fortalecendo seus fluxos de caixa livres.
Algumas das empresas também possuem planos de investimentos significativos em andamento. A rentabilidade resultante desses planos poderá ser afetada, pelo menos temporariamente, pela piora nas condições econômicas, e os financiamentos podem se tornar mais difíceis e onerosos em função do aperto na disponibilidade de crédito.
Embora para as empresas de exportação a considerável depreciação do Real proporcione um incremento em seus fluxos de caixa e melhore a competitividade de custo, acreditamos que o enfraquecimento na demanda global afetará tanto volumes quanto preços dos produtos exportados, e que o aperto de crédito tornará mais difícil para as empresas realizarem suas estratégias financeiras. Tais desafios compensarão pelo menos em parte os ganhos nas exportações no curto e médio prazo.
A reafirmação dos ratings e a revisão da perspectiva para estável dessas entidades refletem nossa opinião de que as condições econômicas adversas não têm provocado ainda uma deterioração na qualidade de crédito dessas empresas em relação às suas respectivas categorias de rating. Entre as empresas afetadas, a Companhia Energética de São Paulo (CESP); a Centrais Elétricas Matogrossenses S.A. (CEMAT) e a CP Cimento e Participações S.A. são particularmente mais vulneráveis à piora nos mercados de crédito, uma vez que apresentam montantes bastante elevados de dívida de curto prazo e menor liquidez. Porém, acreditamos que esses aspectos negativos já estejam refletidos totalmente nos ratings atribuídos. A Independência S.A. apresenta forte liquidez, mas por ser uma empresa do setor de carne, enfrenta as condições mais difíceis para essa indústria em razão dos custos mais altos da matéria-prima. As empresas do setor imobiliário também têm também enfrentado um enfraquecimento no mercado com o aperto na disponibilidade de crédito, afetando a PDG Realty S.A. Empreendimentos e Participações. A MRS Logística S.A. apresentou liquidez e fluxos de caixa robustos, mas a empresa está atualmente realizando investimentos significativos na ampliação da capacidade. Continuaremos monitorando as empresas avaliadas e quaisquer efeitos negativos sobre sua qualidade de crédito ante às mudanças sem precedentes nos mercados globais.
Lista das perspectivas revisadas e dos ratings reafirmados
| Empresa |
De |
Para |
| Companhia Energética de São Paulo |
B/Positiva/-- (EG)* brBBB-/Positiva/-- (ENB)** |
B/Estável/-- (EG)* brBBB-/Estável/-- (ENB)** |
| Centrais Elétricas Matogrossenses S.A. (Cemat) |
B/Positiva/-- |
B/Estável/-- |
| CP Cimento e Participações S.A. |
brB+/Positiva/-- |
brB+/Estável/-- |
| Independência S.A. |
B/Positiva/--
|
B/Estável/--
|
| MRS Logística S.A. |
BB/Positiva/-- brAA-/Positiva/-- |
BB/Estável/-- brAA-/Estável/-- |
| PDG Realty S.A. Empreendimentos e Participações |
brBBB+/Positiva/-- |
brBBB+/Estável/-- |
*EG Escala Global **ENB Escala Nacional Brasil |
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