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Ratings da Sadia S.A. e das notas da Sadia Overseas Ltd. rebaixados para 'BB' e removidos do CreditWatch Negativo

Data de Publicação:    Oct 06, 2008 00:00 America/Sao_Paulo
Milena Zaniboni, São Paulo (55) 11-3039-9739, milena_zaniboni@standardandpoors.com
Reginaldo Takara, São Paulo (55) 11 3039-9740, reginaldo_takara@standardandpoors.com


São Paulo, 6 de outubro de 2008 (Standard & Poor’s) – A Standard & Poor’s Ratings Services rebaixou hoje os ratings de crédito corporativo de longo prazo da empresa brasileira de alimentos Sadia S.A. (Sadia) e das notas no valor de US$250 milhões emitidas pela Sadia Overseas Ltd., uma subsidiária integral da Sadia, de ‘BB+’ para ‘BB’. Ao mesmo tempo, os ratings foram removidos da listagem CreditWatch com implicações Negativas, na qual foram colocados em 26 de setembro de 2008. A perspectiva do rating de crédito corporativo é negativa.

O rebaixamento reflete o enfraquecimento nas métricas de crédito da Sadia depois que a empresa apurou perdas no valor de R$ 760 milhões para liquidar algumas operações com derivativos no 3º trimestre de 2008. Para preservar sua liquidez, a Sadia optou por tomar linhas de crédito de curto prazo adicionais, o que contribuiu para uma deterioração em seu perfil de dívida. Esperamos que a empresa apresente um índice de geração interna de caixa (Funds From Operations - FFO) sobre dívida total inferior a 10%, e de dívida total sobre EBITDA próximo a 4,0x no exercício fiscal findo em 2008. Os indicadores financeiros deverão melhorar substancialmente em 2009 à medida que a empresa continuar apresentando volume de vendas e resultados operacionais robustos, com uma margem EBITDA esperada em torno de 12% no período. No entanto, os indicadores financeiros projetados para 2009 permanecerão mais fracos do que nossas projeções anteriores, porém alinhados à atual categoria de rating.

Os ratings da Sadia refletem a inerente volatilidade nas operações da empresa dadas as características das indústrias de carne e alimentos processados, e a falta de definição quanto a sua estratégia financeira futura para posições de arbitragem e derivativos. Esses aspectos negativos são de certa forma contrabalançados pela posição de liderança da empresa no mercado brasileiro e por sua sólida capacidade exportadora, com uma crescente presença de seus produtos nos mercados internacionais; pela posição de custo baixo e níveis de rentabilidade resilientes quando comparados aos de seus pares; e pelo mix de clientes e de produtos progressivamente mais diversificado.

A Sadia registrou um crescimento de volume robusto até o segundo semestre de 2008, tanto no mercado interno (7,8%) quanto no externo (9,5%), atingindo vendas de US$5,5 bilhões no acumulado de dozes meses até junho de 2008. A empresa sinalizou que a demanda ainda está forte para o restante do ano, e os volumes deverão continuar crescendo em 2009 como resultado dos investimentos recentes em novas capacidades. A diretriz está alinhada as nossas expectativas de que a posição competitiva e o mix de produtos de maior valor agregado nas exportações da Sadia, bem como os bons fundamentos do mercado doméstico resultaram em um perfil de negócios mais consolidado que continua a amparar resultados operacionais positivos. No entanto, o impacto significativo das perdas com operações de derivativos no perfil financeiro da empresa enfraqueceu sua posição de crédito. Além do impacto das perdas financeiras em seu balanço patrimonial, o perfil financeiro também se deteriorou, uma vez que a empresa tomou empréstimos de curto prazo de aproximadamente US$1 bilhão para preservar sua posição de liquidez. Nossas projeções iniciais indicam que a Sadia registrará um FFO marginal e métricas de crédito bastante fracas em 2008.

Em nossa opinião, a Sadia tem adotado as medidas necessárias para conter potenciais perdas adicionais para suas operações. Embora a forte volatilidade do Real nas últimas semanas possa levar a perdas financeiras mais altas, acreditamos que estas serão compensadas, em grande parte e ao longo de um período relativamente curto, pelo impacto positivo que a apreciação do dólar frente ao Real terá sobre as exportações da empresa. A Sadia também conta com flexibilidade para ajustar seus investimentos em ativos fixos a fim de limitar sua alavancagem. Portanto, as métricas de cobertura do fluxo de caixa devem melhorar consideravelmente em 2009, trazendo o índice de dívida total sobre EBITDA mais próximo a 3,5x.

Liquidez
Tradicionalmente, a Sadia conta com uma posição de caixa significativa, que totalizava US$1,2 bilhão em junho de 2008. Após as perdas com derivativos, a Sadia optou por tomar emprestados recursos adicionais a fim de preservar sua liquidez. Conseqüentemente, a empresa deverá apresentar reservas de caixa de cerca de US$800 milhões nos resultados financeiros do 3º trimestre de 2008. Dados os investimentos substanciais já comprometidos pela empresa este ano, o fluxo de caixa discricionário será bastante negativo. Nossa expectativa é que a Sadia ajuste seu programa de investimentos, porém o fluxo de caixa discricionário disponível para reduzir a dívida deverá permanecer limitado nos próximos anos.

Perspectiva
A perspectiva negativa dos ratings reflete o ambiente econômico volátil e a indefinição quanto à estratégia financeira da empresa daqui para frente, principalmente no que tange a derivativos e a sua posição de arbitragem, historicamente alta. A Sadia tem adotado medidas para conter as perdas com operações financeiras em seu balanço patrimonial. No entanto, a extensão da atual turbulência do mercado deixa incertezas sobre o quão breve a Sadia poderá trazer suas métricas de crédito mais em linha com seus ratings e se poderá ter acesso à captação de recursos de prazos mais longos a fim de melhorar seu perfil de dívida. Para revisarmos a perspectiva de negativa para estável, precisamos reavaliar a estratégia financeira da empresa.