São Paulo, 29 de agosto de 2008 (Standard & Poor’s) A Standard & Poor’s Ratings Services alterou hoje, de estável para positiva, a perspectiva dos ratings de crédito corporativo atribuídos à Tele Norte Leste Participações S.A. (TNL) e à Telemar Norte Leste S.A. (Tmar), aqui denominadas conjuntamente “Telemar”. A Standard & Poor’s também alterou, de estável para positiva, a perspectiva do rating de emissor da Amazônia Celular S.A. (Amazônia) e, ao mesmo tempo, reafirmou os ratings de crédito corporativo de longo prazo ‘BB+’ na escala global das três empresas. Também reafirmamos o rating ‘brAA+’ na Escala Nacional Brasil atribuído à TNL.
Estas ações de rating refletem a melhora no perfil de negócios do grupo, considerando-se os progressos alcançados para o estabelecimento dos serviços de telefonia móvel no Estado de São Paulo e no andamento do processo de aquisição da Brasil Telecom S.A. (brAA+/Estável/--) e da Brasil Telecom Participações S.A. (BRTP; brAA+/Estável/--), aqui denominadas conjuntamente “Brasil Telecom”, anunciada em abril deste ano. Embora esta última transação dependa de acontecimentos alheios à empresa como mudanças na estrutura regulatória atual do setor e a disponibilidade de recursos para o financiamento da aquisição, os avanços recentes têm sido favoráveis. Até o momento, o processo de mudanças no Plano Geral de Outorgas (PGO) tem evoluído de acordo com o previsto, e a Telemar já captou a maior parte dos recursos necessários para adquirir o controle da Brasil Telecom S.A. e um terço das ações preferenciais da BRTP. De fato, em agosto de 2008, a Tmar já havia obtido uma grande parte dos recursos necessários (estimados inicialmente em quase R$ 12,2 bilhões) e adquirido um terço das ações preferenciais da BRTP. Embora não se possa estimar as sinergias totais, esperamos que estas melhorem ainda mais a rentabilidade combinada das duas empresas, amparando uma geração de caixa mais forte quando o negócio for concluído.
Não esperamos que a conclusão do processo de aquisição em si da Brasil Telecom pela Telemar conduza a uma elevação nos ratings, sobretudo porque a Telemar provavelmente apresentará uma estrutura de capital significativamente mais alavancada, pelo menos no curto prazo. Entretanto, esperamos que a empresa combinada melhore seus fundamentos de fluxo de caixa, mesmo considerando-se o seu elevado programa de investimentos e a esperada alta distribuição de dividendos. Avanços no fluxo de caixa poderiam sustentar métricas de crédito mais fortes à medida que a alavancagem financeira seja gradualmente amortizada.
Os ratings atuais das entidades Telemar refletem a exposição das empresas à forte competição nos nichos de mercado de crescimento rápido banda larga e telefonia móvel , nos quais a Telemar tem expandido suas operações; bem como alguma pressão negativa sobre as margens operacionais com o aumento da competição por parte tanto das operadoras “espelhos” (CLECs - competitive local exchange carrier) quanto das empresas de TV à cabo no seu tradicional segmento de telefonia fixa; além de uma esperada distribuição de dividendos agressiva após a conseqüente reestruturação na empresa holding do grupo, Telemar Participações. Esses riscos são parcialmente compensados pela posição dominante de mercado da Telemar no segmento de telefonia fixa e de serviços de dados dentro da Região I; por sua sólida posição em telefonia móvel que lhe oferece um mix de receita bastante diversificado, suportando forte geração de caixa e liquidez adequada com base em uma posição de caixa ainda substancial e amplo acesso a fontes de financiamento.
Atualmente, a Telemar é uma das maiores operadoras integradas de telecomunicações do Brasil, com cerca de 13,9 milhões de linhas fixas em funcionamento (LIS - lines in service), mais de 20 milhões de assinantes ativos de telefonia móvel e 1,8 milhão de clientes banda larga em ADSL (Asymmetric Digital Subscriber Line). A nova empresa terá receitas pro forma de aproximadamente US$17 bilhões (R$ 29 bilhões), operações em quase todo o território nacional, incluindo alguns nichos de mercado em São Paulo, mais de 21 milhões de linhas fixas em funcionamento e 25 milhões de clientes ativos de telefonia móvel. Há também potencial de crescimento no médio e longo prazo. A nova empresa deverá apresentar crescimento consistente e significativo em todos os segmentos de mercado com suas áreas de serviços complementares e as campanhas de marketing combinadas.
Liquidez
Apesar das maiores saídas de caixa projetadas para os próximos trimestres, a Telemar deverá conseguir manter nível adequado de liquidez. Como parte da reestruturação do grupo, a Telemar anunciou um pagamento adicional de dividendos em 2008 no valor de R$ 3,9 bilhões (cerca de US$2,4 bilhões). Em junho de 2008, a posição de caixa da empresa era de R$ 7,4 bilhões (cerca de US$4,7 bilhões) e a dívida de curto prazo somava R$ 2,1 bilhões (cerca de US$1,3 bilhão). Para a aquisição da Brasil Telecom, a Telemar tem conseguido financiamento de longo prazo adequado para suportar as demandas requeridas de fluxo de caixa, reduzindo o potencial risco de liquidez no curto e médio prazo. Por outro lado, esperamos que a Telemar mantenha alta a distribuição de dividendos, embora esta deverá ser limitada pelo lucro líquido dos exercícios vindouros, uma vez que grande parte dos resultados acumulados da empresa será utilizada na distribuição de dividendos extraordinária deste ano. Esses altos dividendos são uma forma de oferecer aos acionistas controladores recursos para atender a dívida no nível das empresas controladoras.
Perspectiva
A perspectiva positiva dos ratings reflete nossa expectativa de que, embora a Telemar deva apresentar métricas de crédito mais agressivas no curto prazo, como resultado da dívida levantada para financiar a aquisição da Brasil Telecom, esses índices melhorarão consistentemente nos próximos anos à medida que a empresa fizer uso do forte fluxo de caixa combinado para amortizar dívida. Em nossa opinião, a Telemar já conseguiu melhorar seu perfil de negócios por meio de aquisições e do crescimento orgânico de sua atual planta. Apesar do ambiente de forte competição e de mudanças tecnológicas aceleradas, a empresa tem mantido uma forte posição em sua área de concessão, o que lhe possibilita manter sólida geração de caixa. Se a integração com a Brasil Telecom for bem sucedida, a empresa se beneficiará de uma carteira de serviços mais ampla e de áreas de cobertura complementares, o que poderia melhorar ainda mais sua geração de caixa, aprimorando as métricas de crédito. Uma elevação nos ratings dependeria de um índice de FFO sobre dívida total de 40% somado a um patamar de dívida total sobre EBITDA inferior a 2x. Por outro lado, uma mudança significativa no perfil financeiro esperado, proveniente de uma política financeira mais agressiva, poderia pressionar os ratings. Deterioração no ambiente econômico e competitivo, de forma que pudesse afetar as operações da empresa, como pressões inflacionárias, elevação nas taxas de juros ou uma queda profunda na confiança do consumidor, além de eventos não previstos vinculados à aquisição da Brasil Telecom que prejudiquem a saúde financeira do grupo, poderiam afetar negativamente os ratings e suas perspectivas.
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